{"id":84,"date":"2011-01-07T12:50:00","date_gmt":"2011-01-07T12:50:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-12-23T22:08:33","modified_gmt":"2017-12-23T22:08:33","slug":"84","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anjo.pt\/travel\/2011\/01\/07\/84\/","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<p>A temperatura regressou mas o ibuprofene funciona. Depois de comer algo come\u00e7o com uma dor na garganta, ao in\u00edcio no lado esquerdo. Vamos de t\u00e1xi at\u00e9 \u00e0 ag\u00eancia de viagens recomendada pelo hotel. O autocarro j\u00e1 havia partido. O taxista leva-nos a outra ag\u00eancia que nos embarca para Buea, a 30km dali. L\u00e1 apanhamos outro autocarro de 30 lugares para Yaound\u00e9. Depois da t\u00edpica hora para por as malas sobre o autocarro, de avan\u00e7ar 30 metros e parar por 10 minutos, partimos. Passamos ao longo de uma linha de comboio que, a certa altura, segue numa das faixas de rodagem por alguns quil\u00f3metros. H\u00e1 t\u00e3o poucos comboios nos Camar\u00f5es que n\u00e3o h\u00e1 sequer sinaliza\u00e7\u00e3o nas passagens de n\u00edvel. Passamos em Duala, a capital econ\u00f3mica com alguns pr\u00e9dios de 5 a 7 andares, a mesma ou pior confus\u00e3o que nas outras cidades do pa\u00eds. A estrada Duala-Yaound\u00e9 parece ser das mais perigosas. A certa altura cruzamos um autocarro na berma com o motor na traseira em fogo e todos os passageiros a sair apressadamente pelas tr\u00eas portas dispon\u00edveis. N\u00e3o h\u00e1 extintores. <\/p>\n<p>Mais tarde durante controle da pol\u00edcia uma crian\u00e7a de uns 7 anos sobe para o banco da m\u00e3e e urina pela janela. Cinco horas de viagem at\u00e9 \u00e0 capital. A estrada das ag\u00eancias de viagem est\u00e1 congestionada de t\u00e1xis. O autocarro faz as \u00faltimas dezenas de metros em contra-m\u00e3o antes de fazerem uma abertura entre os t\u00e1xis para chegar ao terminal. \u00c9 mania de muitos pa\u00edses deixar o motor ligado quando o ve\u00edculo est\u00e1 parado. Enquanto esperava que a mochila descesse, j\u00e1 intoxicado pelo fumo e quase tocado por um autocarro em marcha atr\u00e1s, meto a m\u00e3o e desligo o motor que me incomodava. <\/p>\n<p>Vamos para casa de Jean de t\u00e1xi, depois de lutar verbalmente com dois tipos que tentavam fazer comiss\u00e3o com o condutor de t\u00e1xi e um pre\u00e7o exagerado. Salvou-nos o simp\u00e1tico taxista.<\/p>\n<p>Contamos as experi\u00eancias, brincamos com as crian\u00e7as at\u00e9 irmos todos ao aeroporto. Antes do check-in fazem um scan dos passaportes mas o homem distra\u00eddo n\u00e3o devolve o passaporte da Eva e mete num monte de outros. Brussels Airlines levou 3 guichets de check-in m\u00f3veis para o aeroporto. O pessoal \u00e9 local. Convencemos o agente que n\u00e3o temos bagagem e d\u00e1-nos o boarding passe sem perguntar que lugares gostar\u00edamos. Temos de ir a outro pequeno guichet pagar a taxa de embarque. N\u00e3o h\u00e1 troca de palavras com a senhora que demora um bom minuto para receber e verificar os nossos \u00faltimos francos e por um carimbo nos bilhetes.<\/p>\n<p>Despedimos-nos de Jean. No primeiro controlo h\u00e1 algu\u00e9m que vem e nos ultrapassa. J\u00e1 vimos a mesma atitude quando compr\u00e1mos bilhetes de autocarro. No controle de passaportes o guarda fala ao telem\u00f3vel enquanto preenche a ficha de partida que nos deram no primeiro controle, 20metros antes.<\/p>\n<p>Um terceiro controle de bilhete e passaporte antes dos raios-x. Pergunto se preciso tirar os l\u00edquidos a que responde &#8220;ponha a\u00ed&#8221; apontando para a mochila. L\u00edquidos, sim, n\u00e3o? Sem resposta n\u00e3o tiro os l\u00edquidos. <\/p>\n<p>Quarto controle do bilhete onde digo um forte &#8220;Bonjour&#8221; \u00e0 falta de cumprimento inicial.<\/p>\n<p>Quinto controle, para abrir a bagagem de m\u00e3o. Digo para o ar &#8220;n\u00e3o confiam nas vossas m\u00e1quinas&#8221; ao qual o guarda estrabuja. Passa ainda um detetor de metais. \u00c0 Eva o guarda olha para os l\u00edquidos para ver se algo \u00e9 inflam\u00e1vel. <\/p>\n<p>Embora ainda falte uma hora para o avi\u00e3o chegar ao aeroporto, dizem sem parar para os passageiros do voo tal e tal irem \u00e0 sala de embarque para &#8220;immediate boarding&#8221;. <\/p>\n<p>Converso com um jovem que vai pela primeira vez \u00e0 Europa. Falamos dos seus sonhos e das diferen\u00e7as, mas pouco lhe digo para o permitir descobrir.<\/p>\n<p>Pouco depois de embarcar chamam um m\u00e9dico. V\u00e1rias pessoas se levantam. Poucos minutos depois pedem novamente. Eva junta-se ao grupo na parte detr\u00e1s do avi\u00e3o. Os hospedeiros est\u00e3o um pouco em p\u00e2nico. A Eva demora-se. Trinta minutos depois o capit\u00e3o fala a dizer que um dos membros da equipa faleceu de paragem card\u00edaca. A Eva regressa. Nem no avi\u00e3o nem no aeroporto havia qualquer material m\u00e9dico e ap\u00f3s 30 minutos de massagem card\u00edaca e duas inje\u00e7\u00f5es de adrenalina n\u00e3o havia nada a fazer. \u00cdamos agora esperar um m\u00e9dico local e a pol\u00edcia para o constato e depois decidir se o avi\u00e3o partir\u00e1. H\u00e1 hospedeiras que choram. Os passageiros dormem ou v\u00e3o olhar o que se passa com o corpo ou trocam de lugares.<\/p>\n<p>Eram 3 da manh\u00e3 quando a decis\u00e3o de partir \u00e9 tomada, anunciando que o servi\u00e7o iria ser impessoal infelizmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A temperatura regressou mas o ibuprofene funciona. Depois de comer algo come\u00e7o com uma dor na garganta, ao in\u00edcio no lado esquerdo. 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